quinta-feira, 21 de julho de 2011

INCLUSÃO E DEFICIÊNCIA AUDITIVA


Israel Sales Ibernon[1]

Desde a década de 1990, a inclusão é apresenta como um grande desafio para a educação brasileira. Historicamente a sociedade tem discriminando e segregando o portador de deficiência. Por volta de 1970 surgiram no Brasil as classes especiais que, para Bueno (1993), se constituíram em espaço de segregação pois passaram também a receber os alunos com problema de aprendizagem, considerados deficientes mentais leves.

Em 1981, ocorreu uma mudança significativa no conceito de deficiente que de acordo com o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, não é o deficiente que tem que adaptar-se à sociedade, mas a sociedade tem que adaptar-se às pessoas "diferentes". Assim, a deficiência não é então um atributo do indivíduo, mas está relacionada à forma como a sociedade o vê.


No Brasil, a inclusão tem seu amparo legal no princípio de igualdade defendido pela Constituição Federal em seu artigo 5, aliado ao direito à educação constante no artigo 208. Também, a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, assegura que a criança deficiente física, sensorial e mental, pode e deve estudar em classes comuns. O artigo 58 desta Lei estabelece que a educação escolar deve-se situar-se na rede regular de ensino e determina a existência, quando necessário, de serviços de apoio especializado.

A LDB prevê recursos como classes, escolas ou serviços especializados quando não for possível a integração nas classes comuns. Seu artigo 59 contempla a adequada organização do trabalho pedagógico que os sistemas de ensino devem assegurar a fim de atender as necessidades específicas, assim como professores preparados para o atendimento especializado ou para o ensino regular, capacitados para integrar os educandos portadores de necessidades especiais nas classes comuns.

A Declaração de Salamanca, (UNESCO, 1994) reconheceu que a Língua de Sinais oferece possibilidades de utilização para a educação dos surdos, bem como a manutenção dos sistemas especiais de ensino como classes e escolas especiais (Bueno, 2001).

Na Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (ONU, 2008) ficou estabelecido os princípios ligados ao:

1. Respeito pela dignidade inerente e autonomia individual incluindo liberdade para fazer as próprias escolhas e independência das pessoas;
2. Não-discriminação;
3. Participação total e efetiva e inclusão na sociedade;
4. Respeito  pela  diferença  e  aceitação  das  pessoas  com   deficiências   como    parte    da diversidade humana e da humanidade;
5. Igualdade de oportunidades;
6. Acessibilidade;
7. Igualdade entre mulheres e homens;
8. Respeito pelas capacidades em desenvolvimento das crianças com deficiência e respeito do direito das crianças com deficiência de preservar suas identidades.

Na Convenção da Guatemala estabeleceu-se a impossibilidade de tratamento desigual com base na deficiência, definindo a discriminação como toda diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência, conseqüência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais (art. 1º, nº 2).

Também na Lei nº 10.436/2002 reconhece-se os deficientes auditivos como cidadãos capazes e a LIBRAS como um sistema lingüístico capaz de desenvolver a área cognitiva e mental dos deficientes auditivos, tanto quanto o português.

Infelizmente, estes dispositivos legais ainda não têm garantido de forma satisfatória políticas públicas voltadas para o efetivo atendimento das pessoas com necessidades especiais.


Referências Bibliográficas

BRASIL. Constituição Federal de 1988.

BRASIL. Lei 9394 de 24 de dezembro de 1996.

Bueno, J.G.S. - Educação especial brasileira: integração/segregação do aluno diferente. São Paulo, EDUC/PUCSP, 1993.

Bueno, J.G.S. - Educação inclusiva e escolarização dos surdos. Integração, n.23. p.37-42, 2001.

Declaração de Salamanca e Linha de ação sobre as necessidades educativas especiais. In: Conferência Mundial sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade. Brasília: CORDE, 1994.

http://www.prgo.mpf.gov.br/cartilha_acesso_deficientes.pdf

http://www.google.com.br/search?hl=ptBR&q=declara%C3%A7%C3%A3o+de+Salamanca%2C+pdf&btnG=Pesquisa+Google&meta=cr%3DcountryBR

http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n69/a04v2669.pdf

Soares, M.A.L. - A educação do surdo no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados; Bragança Paulista: EDUSF, 1999.

www.assinoinclusao.org.br/Downloads/Convencao.


[1] Pós-Graduando em Gestão de Sistemas Educacionais e Graduado em Pedagogia pela UERR. Ibernon.israel@gmail.com

COMO A GESTÃO DAS MÍDIAS ESTÁ INFLUENCIANDO NA QUALIDADE DO FAZER PEDAGÓGICO DOS PROFESSORES?


ISRAEL SALES IBERNON[1]


Este trabalho apresenta uma análise da forma como a gestão das mídias está influenciando na qualidade do fazer pedagógico dos professores das escolas estaduais do bairro de Santa Luzia, no município de Boa Vista-RR. O objetivo é buscar conhecimentos novos sobre os fatos observáveis, sem finalidade de aplicação determinada, ou específica, ou propósito prático imediato. 

Os dados foram obtidos por meio de pesquisa bibliográfica e de pesquisa de campo. A abordagem foi fundamentada na pesquisa qualitativa que se realizou em um ambiente natural, coletando dados e, sendo o pesquisador o instrumento chave da investigação. 

A pesquisa pode ser caracterizada como exploratória, segundo seus objetivos, uma vez que se procurou a familiaridade com o problema pesquisado, com vista a torná-lo mais explícito. 

Sabe-se que desde a imprensa de Gutenberg e do advento da Primeira Revolução Industrial, o mundo tem passado por constantes mudanças. Essas mudanças foram aceleradas a partir da segunda metade do século passado, principalmente, pelos avanços científicos e tecnológicos que, juntamente com as transformações sociais e econômicas, revolucionaram as formas como as pessoas se comunicam entre si e com o mundo ao redor. 

Na atual sociedade, encurtaram-se as distâncias, expandiram-se as fronteiras, o mundo ficou globalizado. As mídias estão relacionadas com essas transformações e a escola de hoje precisa saber como utilizá-las, pois elas são imprescindíveis no bom andamento do trabalho escolar e, estão presentes tanto nas ações administrativas da escola quanto no fazer pedagógico dos educadores. 

A tecnologia presente no meio social constitui a primeira base para que haja necessidade de seu uso no ambiente escolar, pois a escola é agente de formação e precisa tratar, de forma articulada com seus docentes, a utilização das tecnologias midiáticas como ferramentas pedagógicas na sala de aula. 

A utilização de mídias favorece o desenvolvimento de uma aprendizagem mais significativa, como, destaca um documento publicado pela Secretaria Municipal de Ensino do município de Curitiba (2001) “a aprendizagem significativa está relacionada à possibilidade de os alunos aprenderem por múltiplos caminhos e formas, usando diversos meios tecnológicos”. Isso não quer dizer que as mídias por si só resolverão os problemas de desinteresse e baixo rendimento dos alunos nas disciplinas do currículo escolar, mas sim, que elas podem ser usadas como recursos pedagógicos e, quando planejada sua adequada utilização, podem contribuir para tornar as aulas bem envolventes para o alunado, o que favorece o aprendizado dos mesmos, uma vez que é algo de interesse deles. 

A atual realidade educacional exige dos gestores a capacidade de gerenciar, não apenas recursos humanos, mas também uma quantidade variada de mídias. Então, como é possível ao gestor articular junto com os professores o uso dessas ferramentas tecnológicas? Primeiramente, ele deve estudar com seus docentes as possibilidades de uso das tecnologias no ambiente escolar e fazer um primeiro diagnóstico de tecnologias existentes na escola, posteriormente, precisa discutir as possibilidades de se fazer a gestão das tecnologias na prática pedagógica, considerando a realidade da escola e os aspectos evidenciados no diagnóstico realizado, para então, implantar projetos administrativos e pedagógicos que possam atingir e envolver a comunidade escolar de uma maneira mais ampla e articulada ao projeto político-pedagógico. 

A construção de uma proposta de trabalho para o uso de mídias na escola perpassa também pelo tipo de formação que os gestores receberam ou deveriam receber para orientar seus docentes. Não que o gestor deva saber tudo sobre a funcionalidade de todas as mídias, isso é humanamente impossível, mas é preciso que ele tenha em seu currículo, uma formação que lhe permita orientar metodologicamente ou acompanhar a construção de uma proposta de uso da mídia em sala de aula. 

A carência de domínio das mídias por parte dos educadores leva os alunos a terem posturas de desinteresse em sala de aula, pois, atualmente, pode-se afirmar que os jovens quando chegam à escola trazendo conhecimentos sobre as mídias que muitos professores não possuem. Sampaio (1999, p. 9) enfatiza que: 

No relacionamento pedagógico habitual, o professor sabe, os alunos não sabem, ou não sabem grande coisa. Com o cinema e a televisão, se constata uma defasagem entre o que os alunos sabem e o que os professores sabem, mas em sentido contrário: é o professor o ignorante. 

A questão é como se pode ter convicção de os educando estão devidamente preparados para usarem as mídias de forma a enriquecer seu conhecimento acadêmico? A resposta para tal questão exige uma profunda reflexão sobre o que se está criando ao redor e, o que a gestão deseja alcançar através do seu planejamento articulado junto com os professores sobre o uso adequado das mídias em sala de aula, ou seja, é imprescindível que haja direcionamento intencional dos saberes que os alunos trazem para que sejam utilizados como mecanismos de alcance dos objetivos educacionais da escola. 

As escolas estaduais do bairro de Santa Luzia possuem vários tipos de mídias, as mais comuns são livros, revistas, jornais impressos, computadores, internet, retroprojetor, televisores, caixa amplificada, etc. O uso desses recursos ainda não é planejado pelos gestores dessas escolas junto com os professores, o que ocorre é que quando um professor quer utilizar qualquer mídia presente na escola, faz um agendamento e no dia aplica a sua aula. 

Apesar de dispor dessas mídias, há dificuldades para a utilização adequada em sala de aula e a razão para tal dificuldade se relaciona à falta de um planejamento. A situação vivenciada nessas escolas fica nítida, quando analisamos a maneira com que essas tecnologias vêm sendo usadas nas salas de aula pelos professores. 

O rádio, apesar de relativamente antigo, comparado com outras mídias, como a televisão, a internet, o celular, dentre outros, ainda não é trabalhado nessas escolas. É preciso destacar que essa mídia, representa um instrumento rico em possibilidades pedagógicas e de grande abrangência, atingindo todas as camadas da população e a escola necessita utilizar isso em prol da construção da aprendizagem de seus educandos. 

O jornal é uma mídia que traz consigo um mosaico de informações cotidianas, um registro da história do dia-a-dia. A linguagem do jornal é rica e variada. Quem escreve um jornal precisa ter uma boa capacidade de conhecimento da linguagem em geral e das funções da linguagem, em particular, para avaliar/produzir um texto jornalístico. Sem contar a imprescindível capacidade de síntese e de objetividade. Toda essa riqueza pode ser aproveitada pedagogicamente pelo professor em sua sala de aula, considerando que o jornal é um excelente recurso para socializar as informações pesquisadas e coletadas ao longo de um tempo, todavia, não é um recurso aproveitado por nem uma das escolas pesquisadas. 

Na pesquisa, observou-se que a televisão e o DVD são as mídias mais utilizadas pela gestão das escolas estaduais do bairro de Santa Luzia. Contudo, não se constatou nenhum planejamento para o uso das mesmas, essas tecnologias são usadas pelos gestores quando da falta de um professor e, para distrair os alunos, eles são levados para a sala de vídeo para assistir desenho, filme ou documentário. É importante salientar que só é errado levar os alunos para assistirem esse tipo de programação no espaço escolar, quando a atividade não é devidamente planejada, quando não se estabelece um objetivo prático a ser alcançado. Não se pode usar um espaço tão rico em oportunidade de aprendizado apenas para preencher o tempo dos educandos. 

Em função da importância das mídias no meio social, a escola que é agente de formação humana precisa articular com seus educadores a utilização dessas tecnologias como ferramentas pedagógicas na sala de aula. As mídias, não podem ser usadas na escola sem um fim específico, sem uma proposta de trabalho que permita ao educando assimilar novos conhecimentos que o prepare para a vida adulta. Então, cabe a gestão implantar projetos administrativos e pedagógicos articulados ao projeto político-pedagógico da escola para orientar metodologicamente o uso de mídias pelos professores em sala de aula. 

BIBLIOGRAFIA 

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa / Antônio Carlos Gil. - 4. ed. - 8. Reimpr. - São Paulo: Atlas, 2006. 

POCHO, Cláudia Lopes; AGUIAR, Márcia de Medeiros; SAMPAIO, Marisa Narcizo; LEITE, Lígia Silva. Tecnologia educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula. Petrópoles, RJ: Vozes, 2003. 

PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO. Módulo Introdutório Integração de Mídias na Educação. Ministério da Educação, DF, 2007. 

SAMPAIO, Marisa Narcizo; LEITE, Lígia Silva. Alfabetização tecnológica do professor. Petrópole, RJ: Vozes, 1999. 

SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento / Antonio Raimundo dos Santos. - 6. Ed. Revisada (conforme NBR 14724:2002). - Rio de Janeiro: DP&A, 2006. 

SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 12. ed. Campinas: Autores Associados, 1996.

WWW.FAPEX.UFA.BR 


[1] Graduado em Pedagogia e Pós-Graduando em Gestão de Sistemas Educacionais pela UERR. E-mail ibernon.israel@gmail.com